Processo de produção teatral em telepresença é documentado pelo projeto “Contando histórias, revelando tradições…”

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O documentário com o tema “Identidade e território: novas formas de fazer teatro” ganhou nova estética em formato telepresente. O projeto enfrentou o desafio de ser adaptado para as plataformas on line, pelo avanço da pandemia do Covid-19, no Amazonas.

Com lançamento agendado para domingo, dia 16, às 17h de Brasília, o documentário “Contando Histórias, Revelando Tradições” poderá ser acessado, através do Portal de Artes MeVer: https://www.mever.com.br/, uma plataforma virtual de apresentação de espetáculo teatrais.

O documentário vem responder às questões: “telepresença é teatro?” “O que se faz de modo presencial no teatro, que não se faz em telepresença e vice-versa?” Ele trará além de depoimentos de especialistas, alunos e oficineiros, trechos das oficinas do projeto “Contando histórias, revelando tradições”, com detalhes da metodologia de trabalho em cena.

As oficinas do projeto “Contando histórias, revelando tradições” aconteceram de 05 a 09 de abril, via google meet e foram transmitidas ao vivo pelo youtube, através do Portal de Artes MeVer. Para a coordenadora geral do projeto, a atriz e professora de artes cênicas da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Vanessa Bordin, o processo de adequação da proposta para a plataforma virtual possibilitou amplo acesso em rede a uma gama muito maior de pessoas.

“Tivemos contato com pessoas de diversos lugares do Brasil e também de Novo Aripuanã. Ficamos satisfeitos com os resultados das inscrições realizadas por meio do formulário google, através de divulgações nas redes sociais (instagram e facebook), portais jornalísticos, rádio e jornal impresso”, diz e acrescenta:

“O trabalho foi todo realizado à distância. Foi indispensável a separação da equipe em equipes menores para o acompanhamento de todos os oficineiros, em filmagens e captação de som. O resultado foi um documentário onde a equipe se fez presente em todos os lugares onde estiveram os oficineiros”.

Participam do projeto, além de Vanessa Bordin, que faz a direção geral do projeto; os cinegrafistas, Pedro Gonçalves – que assina a direção do documentário – Rodrigo Duarte e Rico de Lucas; os atores e oficineiros, Neth Lira, Leandro Lopes e Vanessa Benites Bordin; o coordenador das plataformas digitais, e mídias sociais, Guilherme Carvalho; a produtora, Jackeline Monteiro, e a designer, Kenia Nattrodt.

O documentário é parte do projeto de oficinas de contação de histórias e teatro de formas animadas, “Contando histórias, revelando tradições”, que foi contemplado no edital Encontro das Artes, Lei Aldir Blanc, do Governo Federal, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, para a cidade de Novo Aripuanã, interior do Amazonas.

Inovação e arte em casa

Vanessa Bordin afirma que o documentário traz a inovação como destaque e revela como a metodologia faz do ambiente da cena um exercício de criatividade para toda a família. “Esses são fatos que o documentário traz como registro deste fazer metodológico que proporciona não só ao aluno um processo de criação e aprendizagem, mas a toda a família”, diz.

Para o diretor, Pedro Gonçalves, o documentário mostra como foi adaptada uma oficina de teatro presencial para a forma telepresente, quais os desafios de fazer teatro à distância e traz especialistas da área Teatral e das Tecnologias para debater sobre como o Teatro é conceituado nos tempos atuais, uma vez que, durante a pandemia do Covid-19, muitas performances e oficinas teatrais sofreram adaptações”.

O idealizador do Portal de Artes MeVer, Guilherme Carvalho, fala das opções técnicas do projeto: “englobam as plataformas do google meet, para fazer principalmente o encontro entre oficineiros e alunos. A interação acontece por meio audiovisual e pelo chat e o google meet. Cada um regula como é a sua visibilidade das janelas. E também usamos o streamyard que é uma plataforma utilizada para fazer transmissões de materiais audiovisuais pela plataforma do youtube e deixar lá registrado.

Quanto ao conteúdo, o assistente de direção avisa: “mesclamos tudo que passou no google meet com os atores e nas plataformas de transmissão das oficinas. Colocamos os alunos como uma plateia menor na tela, em várias janelinhas e os atores e professores apresentando, contando as histórias em tela maior, para que quem estivesse assistindo depois no youtube, pudesse assistir de forma editada o material”.

A plataforma de transmissão de espetáculos, Portal de Artes MeVer, é parceira do projeto, e disponibilizará uma playlist no site mever.com.br. “Foram compiladas inovações tecnológicas, nas artes cênicas, principalmente transmissões ao vivo pela internet e interações entre os atores e o público”.

O documentário conta com trechos de pequenos vídeos produzidos pelos alunos durante o processo. São imagens de bastidores que foram feitas também por pessoas expectadoras em suas residências, localizadas em estados diferentes. Sobre a importância dessa abordagem acerca das novas e metodologias que surgem a partir da interação com essas plataformas web, Guilherme Carvalho declara que elas garantem a visibilidade do projeto pelo maior número de pessoas possível com a máxima qualidade.

“Em meio à pandemia do SARS-CoV-2, a linguagem audiovisual, mesmo com a internet falha e o equipamento que nem sempre é tão bom, o fato de todos estarem interligados, com o máximo de qualidade possível, potencializa o aprendizado entre pessoas que estão fisicamente distantes”, diz e acrescenta:

“O diferencial do teatro em telepresença é a amplitude do público que pode ter acesso ilimitado aos produtos do projeto. “A plataforma tem essa importância de poder difundir oficinas que, se fossem apenas presenciais, acabariam ao fim dos cinco dias de atividades propostas. Em telepresença na web, as oficinas continuam sendo reverberadas, compartilhadas, emanando conhecimento. Isto é fundamental. Assim, as pessoas passam a ter mais acesso ao teatro e, ao mesmo tempo, podem entender melhor as dificuldades logísticas que estão nos bastidores desta produção”.

Para a equipe do projeto, a participação de comunidades indígenas deu ainda mais força ao projeto, que adquiriu uma interface ainda mais inclusiva. “Contar histórias é uma prática tradicional das culturas indígenas amazônicas, mas as oficinas do projeto exercitam esta prática e proporcionam uma reciclagem do ato de contar histórias, através do audiovidual e da telepresença”, conclui Vanessa Bordin.

O que é?

O projeto de oficinas de contação de histórias e teatro de formas animadas se desenvolve desde 2014, a partir do projeto de extensão desenvolvido pela professora Vanessa Bordin na UEA, com o objetivo instigar a valorização da cultura local, através dos desejos da comunidade e de suas especificidades.

Surgiu nos bairros periféricos de Manaus, proporcionando experiências poéticas com crianças e jovens, a partir de encontros que promovem a troca de conhecimento entre universidade e comunidade, tendo a narrativa de histórias tradicionais, míticas e populares a partir da linguagem do teatro de formas animadas (objetos, bonecos, máscaras) como fio condutor.

A relevância do projeto é proporcionar um retorno à sociedade desenvolvendo práticas que beneficiem a comunidade em geral, realizando ações pedagógicas e práticas artísticas que contribuam com o desenvolvimento de crianças e jovens das periferias, que muitas vezes não tem acesso a esse conhecimento, proporcionando momentos de fruição artística a partir da experiência estética e sensível.

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