Sonia Sena Alfaia receberá a premiação na categoria Vida e Obra por contribuições à pesquisa, às políticas públicas e ao desenvolvimento sustentável de comunidades amazônicas
São Paulo, julho de 2026 – Há mais de quatro décadas, a pesquisadora Sonia Sena Alfaia trabalha para responder a um dos grandes desafios da Amazônia: como gerar renda, fortalecer a agricultura familiar e melhorar a qualidade de vida das populações locais, garantindo, também, a conservação da floresta. É por essa trajetória que a pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) é a laureada do Prêmio Fundação Bunge 2026, na categoria Vida e Obra do tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”.
Reconhecida por sua atuação em agricultura familiar, agricultura indígena, sistemas agroflorestais e manejo sustentável dos solos amazônicos, Sonia dedicou sua carreira à construção de soluções desenvolvidas em conjunto com agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais da região. Sua atuação também inclui a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia e à valorização dos conhecimentos tradicionais. “Receber o prêmio foi uma surpresa muito grande. Eu realmente não esperava. É um prêmio que dá visibilidade ao trabalho que fazemos e nos incentiva a continuar atuando em uma área tão importante para a Amazônia”, afirma a pesquisadora.
Ciência construída junto às comunidades
Natural de Codajás (AM), município localizado às margens do Rio Solimões, Sonia cresceu em uma família que sempre enxergou a educação como ferramenta de transformação. Filha de um produtor rural, vivenciou desde cedo a realidade da agricultura amazônica e aprendeu a importância da terra para a subsistência e a geração de renda das famílias da região. Também viu no próprio pai um exemplo de valorização da educação. “Ele sempre teve a visão de que a educação era fundamental para o nosso futuro”, lembra. Foi essa valorização dos estudos que levou a família a se mudar para Manaus quando Sonia ainda era criança.
Formada em Agronomia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com mestrado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutorado em Ciências Agronômicas no Institut National Polytechnique de Lorraine, na França, retornou à Amazônia para desenvolver uma trajetória dedicada à agricultura familiar, à agricultura indígena e ao uso sustentável dos recursos naturais da região. Ao longo de mais de quatro décadas no INPA, tornou-se uma das principais referências brasileiras na área.
Agricultura indígena e políticas públicas
Um dos principais marcos de sua trajetória ocorreu durante sua passagem pela Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror), onde atuou entre 2010 e 2014 como Secretária Executiva Adjunta de Planejamento e Projetos. “Foi quando fui para o olho do furacão. Era o momento em que os produtores chegavam até nós para apresentar seus problemas e demandas”, recorda.
A experiência permitiu que ela conhecesse de perto as diferentes realidades do interior do estado e resultou na criação do Programa de Agricultura Indígena da Sepror, iniciativa voltada ao fortalecimento da produção agrícola dos povos originários do Amazonas por meio de ações de capacitação, assistência técnica, organização produtiva e acesso a mercados. Atualmente, o programa atua junto às comunidades por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena), contribuindo para a geração de renda, a segurança alimentar e a valorização dos modos de vida indígenas.
Produzir e conservar
Grande parte das pesquisas coordenadas por Sonia busca demonstrar que é possível ampliar a produção agrícola sem desmatamento. “A agricultura aqui precisa se aproximar mais da floresta, e não se afastar dela”, afirma. Essa visão orienta trabalhos voltados a sistemas agroflorestais e a cadeias produtivas consideradas estratégicas para a bioeconomia amazônica, como açaí, castanha, pupunha, guaraná e abacaxi.
Entre os projetos que considera mais emblemáticos está a parceria desenvolvida com o povo indígena Sateré-Mawé, reconhecido historicamente por sua relação com o guaraná. O trabalho envolve a recuperação de antigos guaranazais por meio de práticas agroecológicas e o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis que geram renda para as comunidades, como o cultivo sustentável do pau-rosa, espécie amazônica de alto valor econômico para a indústria de cosmético. Segundo a pesquisadora, o sucesso dessas iniciativas depende da construção conjunta de soluções. “Temos muito respeito pelos conhecimentos e pela cultura dessas comunidades. O nosso papel é construir soluções junto com elas”, destaca.
Legado para as futuras gerações
Além da atuação científica e da contribuição para políticas públicas, Sonia também se dedica à formação de novos pesquisadores. Professora dos programas de pós-graduação do INPA, participou da formação de mestres e doutores que hoje atuam em diferentes áreas relacionadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Nos últimos anos, ela passou a incentivar pesquisadores mais jovens a assumir a liderança de projetos e ampliar a capacidade científica da região. “Estou passando o bastão porque eles são o futuro da pesquisa na Amazônia”.
Para Sonia, o reconhecimento do Prêmio Fundação Bunge simboliza o esforço coletivo de pesquisadores, estudantes, agricultores familiares, comunidades indígenas e instituições que contribuíram para a construção de sua trajetória. “É o trabalho de uma vida inteira. Fazer pesquisa na Amazônia não é fácil, mas é muito gratificante quando vemos que aquilo que construímos ajuda, de fato, a melhorar a vida das pessoas”, finaliza.
Mais de 70 anos de reconhecimento à ciência brasileira
Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o Prêmio Fundação Bunge reconhece pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico nacional e para a busca de soluções para desafios estratégicos do Brasil. Ao longo de sua história, mais de 200 personalidades já foram homenageadas pela premiação. Os pesquisadores agraciados são indicados por representantes das principais universidades e instituições científicas do país, e têm suas trajetórias avaliadas por comissões independentes formadas por especialistas.
Na edição de 2026, o prêmio homenageia quatro pesquisadores brasileiros cujos trabalhos têm contribuído para o fortalecimento da agricultura tropical sustentável e da inovação no campo. Na categoria Vida e Obra, dentro do tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico”, Alexandre Lima Nepomuceno, Chefe-Geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja), será reconhecido por sua trajetória de estudos sobre fisiologia vegetal, biologia molecular e tolerância à seca. Paulo Eduardo Teodoro, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), será condecorado na categoria Juventude reconhecido por suas contribuições no uso de tecnologias na agricultura sustentável e Fenotipagem de Alto Rendimento.
Já no tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”, além de Sonia, estudante Raul Victor Magalhães Sousa, de 16 anos, bolsista de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) do CNPq, com orientação da Universidade Federal do Ceará (UFC), será reconhecido na categoria Juventude pelo desenvolvimento de um sistema que utiliza inteligência artificial associada aos saberes tradicionais para prever chuvas no semiárido cearense.
Sobre a Fundação Bunge
A Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, há 70 anos atua para gerar impactos positivos na sociedade em territórios e setores estratégicos para a Bunge, fomentando a diversidade com promoção dos direitos humanos por meio da inclusão produtiva e do estímulo à economia de baixo carbono, estimulando a ciência e a preservação da memória. A Fundação é o pilar social da Bunge, líder mundial no processamento de sementes oleaginosas e na produção e fornecimento de óleos e gorduras vegetais especiais, que tem como propósito conectar agricultores a consumidores para fornecer alimentos, nutrição animal e combustíveis essenciais para o mundo. Site: fundacaobunge.org.br
Assessoria de Imprensa – Fundação Bunge
GBR Comunicação










