Motivos e recompensas de investir em inovação tecnológica na região Norte

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Por Daniel Goettenauer

Não é novidade que a inovação é um dos principais pilares de desenvolvimento da nossa sociedade. Por todo lado vemos o uso da tecnologia com o objetivo de aprimorar algum serviço, reduzir custos e tempo, aproximar as pessoas seja no âmbito pessoal ou profissional, para estudar, se cuidar, proporcionar novas experiências, entre outros pontos.

Nosso país possui um grande potencial em inovação tecnológica que pode ser amplamente explorado, o Brasil é o 54º colocado no Índice Global de Inovação no ranking Global Innovation Index, organizado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO) tendo a região Sul e Sudeste como as mais presentes no ramo da tecnologia. Apesar de ambas ocuparem as primeiras posições no âmbito de infraestrutura tecnológica, devemos destacar uma das regiões mais contribuintes para o ecossistema de inovação do país, a região Norte.

Na análise da PINTEC, realizada pelo IBGE em 2014, mostra-se o grande potencial e influência que a região Norte possui no Brasil, sendo a causa de geração de mais de R$119 milhões em produtos ou processos que continham algum nível de inovação. Além disso, fica nítida a responsabilidade e o comprometimento das instituições com a expansão tecnológica nacional, afinal, a região possui o maior índice de inovação interna, ficando à frente do Sudeste e Sul, com 43%. Isso se deve à participação de iniciativas privadas dentro das empresas. A região também mira capacitar ainda mais os universitários e profissionais locais, possuindo entidades que servem como apoio à microempresas e startups, como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Outra importante posição que é ocupada pela região Norte, é o índice de competitividade global, que podemos resumir no fornecimento e exportação de produtos de média-alta tecnologia. Os dados foram apurados pela FIEC (Federação das Indústrias do Estado do Ceará) em 2021 e mostram o Amazonas na 2ª colocação do ranking, ficando atrás apenas de São Paulo como o maior fornecedor de tecnologias do país.

É impossível falarmos da região Norte, local em que é localizada a maior floresta tropical do mundo, e não mencionarmos a vasta quantidade de recursos naturais que a Amazônia fornece, essa abundância de recursos permitiu o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus e os Polos Industriais que se firmaram como o centro da inovação da região Norte, chegando a ser a quinta cidade mais rica do país em 2020, com um PIB de R$ 91,768 bilhões (IBGE). Além disso, vale destacar que o levantamento realizado pela Abstartups em 2022, a região representa 2,5% do ecossistema de startups do Brasil, contabilizando mais de 229 organizações mapeadas.

Por mais que existam empecilhos para a expansão da tecnologia e inovação, a região Norte possui um dos maiores potenciais inovativos do Brasil, podemos dizer que a colaboração interna entre as instituições da região é a responsável por muitos diferenciais que foram estabelecidos internamente, e cada vez mais, atrai a intenção de investidores externos. É garantida sua alta competitividade e permanência no alto escalão do mercado da inovação. Seguindo nessa linha, podemos ressaltar que o Amazonas é o estado que melhor representa a região Norte quando o assunto é influência em inovação, fornecimento de soluções para problemas reais através de tecnologia e competitividade ativa no mercado.

Por fim, podemos sempre olhar pra frente com confiança e otimismo quando abordamos o ecossistema de tecnologia e inovação da região Norte e incentivar jovens e universitários a fomentar ainda mais o cenário, afinal os Polos de Inovação e as Instituições de tecnologia têm os estudantes universitários como “agentes” do desenvolvimento econômico, sendo uma arma fortíssima para o avanço de PD&I do país.

É importante destacar que existem questões que dificultam o acesso à informação no Brasil, afinal, de acordo com o levantamento “Education of Glance”, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 21% dos brasileiros entre 25 e 34 anos possuem ensino superior. Entretanto, com os investimentos devidos e incentivos mais presentes, a tendência é que o Brasil alavanque o assunto inovação pelo mundo.

Daniel Goettenauer é especialista em inovação do Manaus Tech Hub, espaço de inovação aberta criado e mantido pelo Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia com o objetivo de abastecer e alimentar o ecossistema de tecnologia e inovação da região norte e do Brasil.

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Redação
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