Comunidade acadêmica da Ufam protesta contra a precarização do trabalho

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Docentes, Técnico-administrativas(os) em Educação (TAEs) e estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) de diferentes áreas protestaram na manhã desta sexta-feira (22) contra a precarização do trabalho na instituição de ensino. Com faixas, cartazes e apitos, as(os) manifestantes realizaram um ato em frente ao campus em Manaus e de lá seguiram em carreata para reitoria da Universidade, onde foi feita a entrega do primeiro dossiê com o detalhamento da precariedade das condições de trabalho no curso de Geologia.

Em sua fala no carro de som em frente à Ufam, a 1ª secretária da ADUA, Ana Cláudia Nogueira, afirmou que a precarização das universidades públicas brasileiras é a política da privatização. “Eles querem precarizar, nos vencer pelo cansaço para que a gente apoie a privatização do Ensino Superior no Brasil, esse é um problema de todos e não apenas de docentes, técnicos e estudantes, a universidade precisa ser defendida por toda a sociedade amazonense”, disse.

Entre os diversos problemas das condições de trabalho estão a falta de computadores nas salas dos(es) professoras(es); problemas com transporte para práticas de campo, de eletricidade, de abastecimento de água e segurança; internet e bibliotecas sem qualidade e salas sem ar-condicionado e com mofo. “Vamos priorizar o trabalho na universidade com qualidade, vamos parar de aceitar as migalhas que estamos recebendo, como vamos fazer ensino no Amazonas sem ar-condicionado, como vamos dar uma boa formação se os professores não conseguem levar seus alunos para prática de campo porque a universidade não tem transporte, como nós vamos ter ensino superior de qualidade”, questionou Ana Cláudia Nogueira.

O professor do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS), Raimundo Nonato Silva frisou que um dos objetivos do ato é sensibilizar a sociedade em relação às condições de trabalho na Ufam. “Os alunos sonham em entrar na universidade e quando entram vivem um pesadelo de não ter condições de desenvolver adequadamente sua formação e os professores vivem o pesadelo de não ter condições de trabalho. Sem condições de trabalho, os alunos são prejudicados, e mais prejudicada ainda é a sociedade amazonense que não recebe os profissionais adequadamente formados, é inadmissível”.

Para o professor do curso de Serviço Social, Jefferson Pereira, falta orçamento para que a Ufam possa manter a excelência no ensino, pesquisa e extensão. “É importante denunciar o que está acontecendo, é um processo de privatização, de sucateamento a galope, o objetivo nós sabemos, o projeto imposto é a privatização na universidade para que as desigualdades possam aumentar ainda mais em um país que já é tão desigual. A possibilidade de cursar uma universidade deve ser preservada para as futuras gerações”, afirmou.

O integrante do Centro Acadêmico de Geologia (Cageo/Ufam) e discente, Mateu Silva, afirmou que as(os) discentes estão indignadas(os) com as atuais condições precárias da Ufam. “Somos submetidos a condições precárias no trabalho de campo como, por exemplo, os ônibus com problemas nos freios, pneus carecas, sem ar-condicionado, sem a mínima condição, nós somos expostos ao perigo, diárias insuficientes para nos manter em atividade de campo, somos expostos também a salas sem piso, falta de manutenção nos banheiros, sem cadeiras”.

Além da ADUA, também participaram da manifestação representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE/Ufam) e Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas (Sintesam). A presidente do DCE/Ufam, Rita Veira, destacou que o momento é crítico. “Nós vivenciamos o desmonte da Ufam, e se nós não nos mobilizarmos para frear esse projeto de vários governos, nós corremos o risco de perder a universidade pública e gratuita, por isso nós devemos estar aqui lutando”, afirmo a estudante.

Presente no ato, o diretor do Sintesam, Ronaldo Ferreira, discursou sobre a falta de comprometimento do governo federal com as instituições de ensino federais. “Nossa luta é contra a precarização da universidade, os técnicos estão em greve justamente por causa das condições de trabalho, baixos salários e descaso com ensino, pesquisa e extensão, o governo está fazendo descaso, nós estivemos várias vezes em Brasília e o governo sempre diz ‘nada’ para as universidades, temos que lutar para que essa universidade não seja privatizada”. As(os) TAEs da Ufam entraram em greve no dia 18 de março.

Após o ato em frente ao campus, as(os) manifestantes seguiram em carreata e ocuparam o prédio da reitoria da Ufam. No local, o reitor, Sylvio Puga, recebeu o “Dossiê: Precariedade das Condições de Trabalho para o Funcionamento do Curso de Geologia no Departamento de Geociências do ICE/Ufam”. O objetivo é que o documento seja o primeiro das unidades acadêmicas da Universidade a serem entregues à reitoria. Estiveram presentes na manifestação docentes, TAEs e estudantes de cursos como Geologia, Serviço Social, Pedagogia, Filosofia, Ciências Sociais, entre outros.

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Redação
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