Uso de múltiplos medicamentos por idosos exige atenção redobrada a interações

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Com uma população idosa que cresceu de 11,3% para 16,6% entre 2012 e 2025, o Brasil também registra um aumento no número de pessoas da terceira idade em tratamento contínuo para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos. Esse cenário, comum ao envelhecimento, favorece a chamada polifarmácia — o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos — e amplia o risco de interações medicamentosas quando não há acompanhamento profissional adequado.
No Brasil, um em cada cinco idosos faz uso de polifarmácia, segundo estudo publicado na Revista de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa apontou prevalência de 20% entre idosos em geral, chegando a 26% entre aqueles com obesidade, o que evidencia diferentes níveis de exposição aos riscos associados ao uso concomitante de medicamentos.
O supervisor farmacêutico da Rede Santo Remédio, Jhonata Vasconcelos, explica que o uso de múltiplos medicamentos é frequente na velhice e, por si só, não representa um problema. No entanto, exige monitoramento constante.
“Com o envelhecimento, o fígado e os rins processam os remédios mais lentamente. Isso significa que substâncias que seriam seguras isoladamente podem se acumular e interagir quando combinadas. Por isso, é sempre importante consultar um profissional para checar esses riscos”, afirma.

Combinações
Entre as interações mais frequentes está a associação de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e diclofenaco, com anticoagulantes. A combinação aumenta significativamente o risco de sangramentos, incluindo hemorragias digestivas.
Os anti-inflamatórios também merecem atenção quando utilizados junto a medicamentos para controle da pressão arterial. Nesses casos, podem reduzir o fluxo sanguíneo para os rins e comprometer sua função, especialmente em idosos que já apresentam algum grau de perda funcional.
Outro grupo que exige cautela é o dos psicotrópicos. Medicamentos indicados para ansiedade ou insônia, quando associados a opioides ou outros sedativos, podem provocar sonolência excessiva, confusão mental e aumentar o risco de quedas, uma das principais causas de internação entre idosos.

Sinais de alerta
Confusão mental súbita, tontura persistente, sangramentos incomuns, inchaço nas pernas, urina escura ou alterações no ritmo cardíaco são sinais que exigem avaliação médica imediata em idosos que utilizam vários medicamentos.
Segundo Vasconcelos, esses sintomas muitas vezes são atribuídos ao próprio envelhecimento, o que pode retardar o diagnóstico de uma interação medicamentosa.
“Não é raro que sintomas como esquecimento, fraqueza ou inchaço sejam associados apenas à idade, quando podem estar relacionados ao uso dos medicamentos. Por isso, qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional”, alerta.
Para reduzir os riscos, a recomendação é manter uma lista atualizada de todos os medicamentos em uso, incluindo os de venda livre, vitaminas e suplementos, e apresentá-la em todas as consultas médicas.
Revisões periódicas da prescrição, realizadas por médicos ou farmacêuticos, ajudam a identificar medicamentos que podem ser retirados, substituídos ou ter suas doses ajustadas com segurança. “Concentrar as compras em uma única farmácia também facilita o cruzamento de informações sobre possíveis interações no momento da dispensação”, orienta o farmacêutico.

Foto: Magnific

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Redação
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