O Território é destaque em painel sobre Cinema e Ativismo na COP 27, no Egito

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Cinema e Ativismo pela Proteção Indígena foi tema do último painel do Brazil Climate Action Hub desta quinta-feira (10), na COP 27. Uma versão reduzida do filme O Território, coproduzido pela Documist com o povo Jupaú (Uru-eu-wau-wau) de Rondônia, foi exibida aos participantes, seguida de bate-papo com a produtora-executiva do documentário, a ativista indígena Txai Suruí, e a também ativista e uma das personagens principais da produção, Ivaneide Bandeira, a Neidinha, cofundadora da Associação de Defesa Etinoambiental Kanindé.

Premiado em quase 20 festivais pelo mundo, “O Território” traz um olhar imersivo sobre a luta incansável do povo Uru-eu-wau-wau, na Amazônia brasileira, para proteger suas terras contra as invasões ilegais. Foi gravado durante três anos do governo Bolsonaro e apresenta uma perspectiva não só da luta dos indígenas, como também dos próprios invasores.

Neidinha começou contando como foi o primeiro contato com o diretor, Alex Pritz, que chegou até ela no final de 2018 e apresentou a ideia inicial do filme, que era contar sobre o trabalho e relação da ativista com o povo Uru-eu-wau-wau. “Não queríamos que fosse uma moeda de troca, gravar e depois ir embora. Queríamos que fosse um filme com o nosso olhar, com o olhar do povo indígena e filmado pelo próprio povo indígena”, explicou Neidinha.

E assim aconteceu. Txai Suruí, que assumiu a produção executiva, falou dos principais desafios neste período de gravação, levando em consideração o cenário de aumento da violência e ameaça aos ativistas e povos indígenas, e também da pandemia da Covid-19. Ela explica que tudo foi muito discutido com a comunidade, desde a decisão de fazer ou não o filme, e como contar essa história.

“E aí veio a pandemia, o Alex ficou muito preocupado em como íamos fazer pra gravar com as aldeias em isolamento e o Bitaté [Uru-eu-wau-wau] disse: ‘manda as câmeras que a gente grava’”, relata Txai, que reforça a perceptível mudança de olhares apresentadas no filme, que mescla as captações feitas pelos cinegrafistas profissionais e pelos indígenas durante o período de isolamento na pandemia.

As ativistas reforçaram, ainda, a importância do filme em, além de levar o olhar dos indígenas sobre a luta contra os desmatamento na Amazônia e seus impactos na vida dos povos da floresta e para o mundo, ensinar, em especial aos jovens das comunidades, a usar o cinema, a arte e as novas tecnologias como ferramentas na defesa dos territórios. “E não só mostrar a nossa luta, mas as belezas que a Amazônia têm. O que é a Amazônia, nossa cultura e a importância disso tudo para o mundo”, completou Txai, que se emocionou ao lembrar a morte de Ari Uru-eu-wau-wau, que fazia parte da equipe de vigilância do território, formada pelos indígenas, e que foi assassinado no período de gravação do filme.

O projeto conta ainda, desde a sua estréia, com uma campanha de impacto, onde todos os recursos doados serão destinados às associações indígenas e a construção de um centro multimídia na aldeia. Para colaborar, acesse: https://theterritoryimpact.org/.

Txai e Neidinha integram uma comitiva de lideranças indígenas de Rondônia, que conta ainda com Kim Surui e Marciely Tupari e participam de diversas atividades, COP27 que segue até o dia 28 na cidade de Sharm el-Sheikh, no Egito.

A transmissão do bate-papo completa está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=eusVJ-w7U-c

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Redação
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