Deputada alerta que milhares de estudantes enfrentam longas viagens, altos custos e dificuldades logísticas para participar do processo seletivo que abre as portas da universidade pública
O sonho de ingressar no ensino superior ainda encontra obstáculos geográficos para milhares de jovens amazonenses. Preocupada com a realidade enfrentada pelos estudantes do interior do estado, a deputada Brena Dianná (UB) apresentou uma indicação ao Governo do Amazonas, à Secretaria de Estado de Educação e à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) solicitando a ampliação dos municípios que recebem as provas do Processo Seletivo Contínuo (PSC).
A proposta nasce da constatação de que, embora o PSC seja uma das principais portas de entrada para a universidade pública, dezenas de municípios amazonenses continuam sem sediar a aplicação das provas, obrigando estudantes a percorrer grandes distâncias para participar do certame.
Segundo a parlamentar, a educação é a principal ferramenta de transformação social e não pode ser limitada por barreiras econômicas ou geográficas.
“Não podemos permitir que um jovem deixe de disputar uma vaga na universidade porque não tem condições de pagar transporte, hospedagem e alimentação para realizar uma prova em outro município. O acesso à educação precisa estar ao alcance de todos os amazonenses”, destacou Brena Dianná durante pronunciamento na Assembleia Legislativa.
Apenas 14 municípios têm PSC
Na edição de 2025 do PSC, cerca de 27.742 candidatos participaram das provas da primeira e segunda etapas do processo seletivo da Ufam. As avaliações foram realizadas em apenas 14 municípios do interior: Benjamin Constant, Coari, Codajás, Humaitá, Itacoatiara, Manacapuru, Manicoré, Novo Aripuanã, Parintins, Santo Antônio do Içá, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga e Tefé, segundo dados estatísticos da UFAM.
Isso significa que estudantes de aproximadamente 48 municípios amazonenses precisaram se deslocar para uma dessas cidades-polo para realizar as provas.
Em um estado com dimensões continentais, onde o transporte fluvial é a principal forma de locomoção em muitas regiões, a distância entre municípios pode representar viagens de várias horas ou até dias.
Moradores de localidades como Jutaí, Ipixuna, Guajará, Atalaia do Norte, Japurá, Maraã e Santa Isabel do Rio Negro, por exemplo, frequentemente precisam enfrentar longos deslocamentos para chegar aos municípios onde o PSC é aplicado.
Além do tempo de viagem, os custos com passagens, alimentação e hospedagem acabam pesando no orçamento de famílias que já convivem com dificuldades econômicas. Para muitos estudantes, a despesa torna-se um fator decisivo para desistir da participação no processo seletivo.
Povo do interior é prioridade
A parlamentar amplia o debate sobre a área da educação, defendendo que a democratização do acesso ao ensino superior passe necessariamente pela redução das desigualdades regionais.
“A realidade do Amazonas exige soluções adaptadas ao nosso território. Precisamos aproximar os serviços públicos das pessoas, seja na saúde, na cultura ou na educação. Levar mais locais de aplicação do PSC é garantir que milhares de jovens tenham a mesma oportunidade de construir um futuro melhor”, afirmou.
A indicação solicita que os órgãos competentes realizem estudos técnicos para ampliar o número de municípios que recebem as provas do PSC já nas próximas edições do processo seletivo, tornando o acesso à universidade mais democrático e acessível para estudantes de todas as regiões do Amazonas.










