Presidente admitiu em entrevista que despesas superam receitas
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) gastou mais do que arrecadou em 2025. O balanço contábil oficial do conselho registrou déficit financeiro de R$ 2.175.724,00 ao fim do exercício. Em termos simples: o conselho encerrou o ano com R$ 2,1 milhões a menos do que precisaria para cobrir suas obrigações.
O documento detalha a origem do desequilíbrio. O Crea-AM tinha em caixa R$ 1.275.055,64 em 31 de dezembro de 2025, mas acumulava dívidas e compromissos financeiros de R$ 3.450.779,64 no mesmo período. A diferença entre o que o conselho possuía e o que devia resultou no déficit de R$ 2,1 milhões registrado no balanço.
O rombo financeiro não se limitou ao caixa. O conselho também gastou mais do que previu no orçamento: a receita arrecadada foi de R$ 24,4 milhões, enquanto os gastos empenhados chegaram a R$ 26,7 milhões, gerando um déficit orçamentário de R$ 2.326.375,36. Além disso, o resultado patrimonial, que mede a variação do valor total do conselho no ano, também foi negativo, com déficit de R$ 1.150.708,04.
A própria presidente licenciada do Crea-AM confirmou publicamente a situação. Em entrevista ao programa PodMais, da Onda Digital, veiculada no dia 5 de maio, Alzira Miranda foi questionada sobre a arrecadação do conselho e admitiu: “Nossa receita não está superando a nossa despesa.” A declaração é consistente com os três resultados negativos registrados no balanço contábil oficial.
O engenheiro civil Fábio Dias, profissional registrado no sistema, criticou a falta de transparência do conselho com a categoria. “Um órgão que arrecada anuidades de milhares de profissionais tem a obrigação de prestar contas com clareza. Déficit dessa magnitude não pode ser tratado como assunto interno”, afirmou.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Crea-AM, mas não obteve nota de esclarecimento até o momento da publicação da matéria.
O Crea-AM é uma autarquia federal que fiscaliza o exercício profissional de engenheiros, agrônomos e geólogos no Amazonas. Suas receitas vêm principalmente das anuidades pagas pelos profissionais registrados, das taxas cobradas por serviços como emissão de Anotações de Responsabilidade Técnica (ART) e Certidão de Acervo Técnico (CAT), e multas por irregularidades.











