Desafio Bioinovação Amazônia seleciona dez tecnologias para transformar biodiversidade em produtos e novos negócios

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Chamada internacional do Idesam recebeu aproximadamente 500 inscrições, selecionou 50 participantes na segunda fase e agora avança com dez propostas tecnológicas desenvolvidas por duplas de inovadores e especialistas em pesquisa & desenvolvimento

Tecnologias para transformar resíduos de açaí em ingredientes de alto valor, ampliar o rendimento da extração de óleo de buriti, rastrear espécies oleaginosas sem danificar as árvores e desenvolver biomateriais para aplicações na saúde estão entre as dez propostas selecionadas pelo Desafio Bioinovação Amazônia. Realizada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), por meio da ZÔMA, inciativa criada em 2025 para gerar negócios, a chamada internacional mobilizou quase 500 inscrições, com interesse de participantes de mais de 80 países.

A iniciativa busca conectar pesquisadores, empreendedores, indústrias e comunidades amazônicas para desenvolver soluções tecnológicas capazes de agregar valor às cadeias da sociobiodiversidade. Com financiamento do Bezos Earth Fund e parceria da Penn State University, o programa adota um modelo de inovação aberta, no qual as demandas dos territórios e de grandes empresas do mercado orientam o desenvolvimento científico.

“A chamada foi construída em uma lógica de redes de colaboração, através da qual os atores conectam capacidades, compartilham riscos e geram aprendizagens para desenvolver soluções mais ambiciosas. Nesse arranjo, as indústrias indicam suas demandas tecnológicas, as comunidades apontam oportunidades nas matérias-primas com que trabalham, e o IDESAM mobiliza pesquisadores e especialistas em P&D para construir soluções conjuntas”, afirma o gerente de inovação do IDESAM, Paulo Simonetti.

O processo de seleção foi estruturado em etapas. A primeira mobilizou candidatos interessados em atuar nos seis desafios tecnológicos da chamada, abrangendo bioativos de óleos amazônicos, óleos funcionais, novos produtos derivados da borracha, melhoria da cadeia da castanha-do-brasil, amidos funcionais e aproveitamento de resíduos de frutas.

Na segunda fase, anunciada em julho, foram selecionados 50 participantes, divididos em dois grupos: 25 inovadores, vinculados aos desafios tecnológicos, e 25 especialistas em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Os profissionais avançaram para uma jornada de formação de equipes, aprofundamento das propostas e preparação para a apresentação das soluções.

A etapa seguinte foi o Pitch Day, quando as propostas foram apresentadas e avaliadas por uma banca especializada. Dez tecnologias receberam as melhores avaliações e avançaram no programa.

Da pesquisa científica às soluções com potencial de mercado

As dez propostas selecionadas apresentam diferentes aplicações da biodiversidade amazônica, com oportunidades de desenvolvimento nos setores de cosméticos, saúde, ingredientes funcionais e novos materiais.

Na valorização de resíduos, a BioExtrativa, de Ramon Sousa Barros Ferreira e Carolina Itoda, propõe transformar caroços de açaí em extratos bioativos por meio de uma tecnologia de extração ambientalmente mais sustentável. Já Weliton Pedro Batiston e Silvia Luciane Basso desenvolveram uma proposta para obter ingredientes cosméticos ricos em carotenoides a partir de resíduos do buriti, com possibilidade de envolver cooperativas no pré-beneficiamento.

Duas propostas exploram o potencial dos amidos funcionais. Leonardo Sia e Menfecy Almeida Amaral trabalham no desenvolvimento de um modificador sensorial para cosméticos a partir da farinha de babaçu, enquanto Nathiel Moraes e Paula Moreira apresentam a BioGel, plataforma à base de amido voltada à preservação do açaí e à extração de compostos bioativos.

Entre as tecnologias relacionadas aos óleos amazônicos, Danilo José Machado de Abreu e Cassiana Mendes propõem um coquetel multienzimático para aumentar a recuperação do óleo de buriti e preservar seus compostos bioativos. Em ensaios apresentados pela dupla, o rendimento mais do que duplicou.

A Oiru Bio, de Isabella Barbosa e Marina Aoe Shimono, combina software de rastreabilidade e sensores não invasivos para identificar espécies oleaginosas e estimar seu potencial produtivo, incluindo árvores de copaíba.

Outras propostas exploram aplicações na área da saúde. A ACUS, de Letícia Scherer Koester e Taris Macedo, desenvolve microagulhas poliméricas dissolvíveis para liberação de bioativos amazônicos na pele. Samanta Finsterbuch e Cassiana Mendes apresentam um nanorrepelente formulado com compostos de andiroba e copaíba.

A BioSpin NanoLift, de Andrey Marcos Pinho da Silva e Taris Macedo, propõe uma nanofibra biodegradável para liberação gradual de bioativos em aplicações relacionadas ao cuidado de feridas. Já a Cahuchu Elixir, de Ana Karoline Almeida da Silva e Rashmi Prakash, utiliza biopolímeros reaproveitados e nanobioativos amazônicos em uma plataforma voltada ao cuidado avançado da pele.

As tecnologias encontram-se em diferentes estágios de maturidade e ainda dependem de etapas de validação e desenvolvimento para suas aplicações comerciais.

Inovação aberta construída com os territórios

Um dos diferenciais da chamada é a participação de organizações comunitárias na definição dos problemas que orientam a pesquisa científica. A COOPEACRE, no Acre, e a Vem do Xingu, na região do Médio Xingu, no Pará, participaram da cocriação dos seis desafios tecnológicos, incorporando conhecimentos tradicionais, demandas produtivas e oportunidades de agregação de valor identificadas nos territórios.

A estruturação das prioridades também contou com uma análise estratégica do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras, da Firjan, que mapeou oportunidades de mercado para biomassas amazônicas, considerando critérios como potencial tecnológico, valor agregado e aplicações industriais.

O programa reúne ainda instituições de pesquisa, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), além da Emerge Brasil e de empresas como Natura, CitroBio, Givaudan, BossaPack e Symrise.

A articulação busca aproximar o desenvolvimento das tecnologias das necessidades da indústria, ampliando as possibilidades de licenciamento, criação de startups de base científica e estabelecimento de parcerias comerciais.

Próximas etapas: validação tecnológica e conexão com os territórios

Com a seleção das dez propostas, o Desafio Bioinovação Amazônia avança para as etapas previstas de validação tecnológica e aproximação com parceiros industriais e organizações comunitárias.

O programa contempla atividades de residência na Amazônia, apoio técnico e acesso a infraestrutura de pesquisa para aprimorar as soluções e avaliar sua viabilidade de aplicação.

A chamada prevê recursos de aproximadamente R$ 100 mil por equipe para validação tecnológica, além de uma premiação final de R$ 450 mil, distribuída entre as três equipes mais bem classificadas.

Ao reunir demandas dos territórios, conhecimento científico e oportunidades industriais, o Desafio Bioinovação Amazônia busca fortalecer um modelo de inovação no qual as comunidades participem da definição dos problemas e da geração de valor, contribuindo para o desenvolvimento de uma bioeconomia amazônica mais competitiva, inclusiva e sustentável.

Sobre a ZÔMA

A ZÔMA é a geradora de negócios do Idesam, voltada à criação e ao desenvolvimento de empreendimentos inovadores a partir da sociobiodiversidade amazônica. Sua atuação combina estratégias de inovação aberta e venture building, articulando comunidades, pesquisadores, instituições científicas e empresas para transformar demandas produtivas e oportunidades de mercado em tecnologias, produtos e novos modelos de negócio com potencial de impacto socioambiental positivo.


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Redação
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