Roberto Cidade determina que órgãos estaduais intensifiquem combate aos incêndios no Amazonas

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Em meio à estiagem, governador orienta órgãos estaduais a intensificarem monitoramento, fiscalização e combate aos focos de incêndio e reforça importância da participação da população

O governador Roberto Cidade determinou aos órgãos do Governo do Amazonas a intensificação das ações de monitoramento, fiscalização, prevenção e combate aos incêndios em Manaus e nos municípios do interior. A orientação foi reforçada ao Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais no Amazonas, que esteve reunido nesta quarta-feira (23/09), no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). A reunião contou com a participação do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Defesa Civil do Amazonas e Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

“Estamos acompanhando com muita preocupação o cenário dos incêndios e da fumaça no Amazonas e, por isso, determinei aos nossos órgãos que intensifiquem o monitoramento, a fiscalização e o combate aos focos. Precisamos agir de forma rápida para evitar que novos incêndios aconteçam, responsabilizar quem pratica crimes ambientais e, principalmente, contar com a participação da população. O combate ao fogo é uma responsabilidade de todos”, reforçou Roberto Cidade.

De acordo com as projeções climáticas acompanhadas pelos órgãos estaduais, o Amazonas enfrenta um cenário de estiagem severa, com temperaturas elevadas e previsão de chuvas abaixo da média. O fenômeno El Niño está associado a condições que favorecem o prolongamento do período seco e o aumento do risco de incêndios florestais. Boletins elaborados por órgãos federais apontam alta probabilidade de intensidade muito forte do fenômeno entre setembro e novembro de 2026.

Diante desse cenário, o Governo do Amazonas reforça que a utilização irregular do fogo e as ações humanas estão entre os principais fatores associados aos incêndios registrados no período. Além dos riscos à população e ao meio ambiente, queimadas realizadas de forma ilegal podem configurar infrações e crimes ambientais, sujeitando os responsáveis às medidas previstas na legislação.

O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, destacou que, desde 1º de julho até 22 de setembro, a corporação atuou no combate de 14.899 focos de incêndios urbanos e florestais no estado e alertou para os riscos das queimadas durante o período de estiagem.

“Nós estamos, neste momento, sob os piores efeitos do El Niño e muito disso é por conta das condições que esse fenômeno proporciona e da atuação de pessoas de forma intencional e muitas das vezes criminosa. Então, qualquer fogo feito de forma descontrolada pode se transformar numa tragédia. Portanto, se você pretende fazer a limpeza do seu quintal, não faça fogo, em hipótese alguma”, orientou.

No combate direto às chamas, o CBMAM conta com a atuação contínua de cerca de 1.000 servidores, entre militares e brigadistas. Vinte e cinco municípios contam com bases permanentes e, atualmente, 65 viaturas estão empregadas no combate aos incêndios. Outros cinco veículos devem chegar até o final de outubro. Em maio deste ano, foi lançada a Operação Amazonas + Verde, que atua na resposta rápida em 33 municípios.

Reforço da fiscalização

O Ipaam também reforçou, a partir desta quarta-feira, a fiscalização de infrações ambientais relacionadas ao uso irregular do fogo na Região Metropolitana de Manaus. A atuação integra a Operação Região Metropolitana, que abrange os 13 municípios da região, e conta com três equipes do Instituto e da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb), atuando simultaneamente em diferentes áreas. As ações também fortalecem a Operação Tamoiotatá, que concentra fiscalizações no sul do Amazonas.

O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, explicou que o direcionamento das equipes considera os dados de monitoramento dos focos de calor e outras informações ambientais, com apoio de ferramentas tecnológicas.

“Conforme nossos estudos e o painel de alertas de fogo e pontos de calor, nós vamos focar agora na Região Metropolitana, que contém 13 municípios. Esta é uma operação em conjunto com o Batalhão de Policiamento Ambiental. Também vamos atuar no fortalecimento da Operação Tamoiotatá. Vamos acompanhar também os focos de calor com o uso de drones para sermos mais assertivos no deslocamento das equipes, interligados à nossa base e também com o Corpo de Bombeiros”, pontuou.

A partir dos dados de focos de calor e de outras informações obtidas por imagens de satélite, as equipes verificam em campo as áreas indicadas pelo monitoramento e levantam elementos para apurar a ocorrência de infrações ambientais. O trabalho considera também a circulação dos ventos e as condições meteorológicas, com apoio de ferramentas como o Painel do Fogo, do Censipam, e a plataforma Windy.

A Sema também tem atuado com base no cronograma do Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ-AM). O secretário executivo-adjunto de Gestão Ambiental da secretaria, tenente Cícero da Silva, detalhou a redução dos índices de desmatamento e o rigor das restrições legais impostas no Amazonas.

“Temos o decreto do fogo, que já está em andamento e que proíbe o uso do fogo pelo prazo de 120 dias. Em relação ao cenário atual, temos presenciado que essa fumaça tem vindo da concentração na Região Metropolitana de Manaus. O Amazonas tem registrado uma queda de desmatamento de 44% em relação ao período do ano anterior e o decreto está vigente e tem suas sanções. A Sema continua fazendo monitoramento, junto com o Ipaam, de toda a situação”, declarou.

As medidas integram as ações estaduais de enfrentamento ao período de estiagem, iniciadas com o Decreto Estadual nº 54.274, de 1º de junho de 2026, que estabelece situação de emergência climática e ambiental em caráter preventivo. O Governo do Estado também publicou o Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, que proíbe o uso do fogo em todo o território amazonense pelo prazo de 120 dias e veda o emprego do fogo para limpeza, manejo agrossilvipastoril, renovação de áreas e eliminação de resíduos vegetais, inclusive técnicas de queima controlada.

Participação da população

O Governo do Amazonas reforça que a atuação dos órgãos públicos precisa estar acompanhada da participação da sociedade. A população pode contribuir evitando o uso do fogo, especialmente para limpeza de quintais, terrenos e áreas rurais, e comunicando às autoridades situações de queimadas ilegais ou outros crimes ambientais.

Presente na reunião, o representante do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) destacou a importância da atuação conjunta entre os órgãos públicos e do engajamento da sociedade na prevenção de novos focos. O promotor de Justiça André Seffair reforçou o papel da repressão aos ilícitos e ressaltou o trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado.

“O Ministério Público tem um monitoramento com dados de satélites que são consolidados na nossa base de dados. Precisamos compreender que as instituições estão realizando ações de forma coordenada e reforçar que grande parte desses incêndios tem um fator humano e podemos prevenir, seja pela repressão criminal, seja pela educação ambiental da população. Então, cada um aqui está fazendo sua parte e assim vai ser feito até o final”, destacou.

Qualidade do ar e atenção à saúde

O Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (Cemoa), que mantém monitoramento 24 horas, registrou concentrações elevadas de material particulado fino (MP2,5) nas últimas 24 horas. Diante das medições, o Cemoa emitiu dois alertas válidos até a manhã de quinta-feira (24/09).

O primeiro alerta aponta qualidade do ar em nível ruim, com índices acima de 50 µg/m³, para os municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e São Sebastião do Uatumã. O segundo alerta aponta situação mais crítica na área urbana de Manacapuru, onde a qualidade do ar atingiu o nível severo, com taxas superiores a 125 µg/m³.

Em decorrência desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) desenvolveu um painel de monitoramento para avaliar a demanda na rede assistencial por região. No levantamento realizado entre 1º de julho e 22 de setembro, foram registrados 132 atendimentos de pacientes com sintomas associados à exposição à fumaça, dos quais 23 ocorreram no mês de setembro. Os principais sintomas relatados incluem dispneia, tosse, dor de cabeça, dor torácica, náuseas, irritação na garganta, fadiga, tontura e vômitos.

A Defesa Civil e a SES-AM orientam a população, especialmente grupos vulneráveis como crianças, idosos, gestantes e cardiopatas, a adotar cuidados essenciais durante este período. Recomenda-se evitar a prática de exercícios físicos e trabalhos pesados ao ar livre, permanecer em ambientes fechados com portas e janelas vedadas nos horários de maior densidade de fumaça, utilizar máscaras de proteção respiratória adequada ao sair de casa, manter os ambientes umidificados e reforçar a ingestão constante de líquidos.

Em casos de sintomas leves, como tosse, tontura ou mal-estar, a recomendação é buscar atendimento inicial pelo aplicativo Saúde AM Digital. Diante de quadros graves, como falta de ar intensa, dor no peito, lábios arroxeados ou confusão mental, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de urgência e emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo número 192.

Para situações de emergência e combate imediato a incêndios, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193, enquanto denúncias de queimadas ilegais e infrações ambientais podem ser encaminhadas ao Ipaam via WhatsApp pelo número (92) 98557-9454.

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Redação
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