Manaus, a capital que mais ganhou moradores no Brasil também viu seu índice de envelhecimento quase dobrar.

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Manaus cresceu e envelheceu ao mesmo tempo entre 2010 e 2022. Especialistas apontam que a população madura não é um bloco homogêneo e que a oferta de modelos de moradia no país continua tímida diante da variedade de perfis que ela reúne.

Entre 2010 e 2022, a capital amazonense ganhou 261,5 mil habitantes, o maior acréscimo populacional absoluto entre os municípios brasileiros no período, à frente de Brasília e São Paulo, segundo dados do IBGE.

Enquanto crescia, sua estrutura etária também se transformava. O índice de envelhecimento, que relaciona o número de pessoas com 65 anos ou mais ao de crianças de zero a 14 anos, passou de 13,71, em 2010, para 26,41, em 2022. Em pouco mais de uma década, praticamente dobrou.

Isso não significa que Manaus tenha se tornado uma cidade velha. A capital ainda tem uma estrutura populacional relativamente jovem, mas está envelhecendo rapidamente, reduzindo o tempo disponível para que setores como saúde, serviços, urbanismo e mercado imobiliário se preparem para essa mudança.

No setor imobiliário, a questão é clara: as pessoas estão mudando, mas ainda são escassas as inovações nos modelos residenciais.

Novos modelos de moradia para diferentes perfis 50+

A população 50+ está longe de ser homogênea. Pessoas da mesma idade podem ter diferentes graus de autonomia, estilos de vida, vínculos, capacidade de investimento e expectativas em relação à moradia.

O Panorama Residências para Longevidade, criado pela MV Marketing em parceria com Flavia Ranieri, aponta justamente uma oportunidade entre maduros ativos, autônomos e independentes, que ainda encontram pouca diversidade de soluções residenciais no Brasil.

Entre permanecer na própria casa e recorrer, em situações de maior dependência, a residenciais especializados, existe um amplo grupo de pessoas que busca simplificar a rotina, conviver com diferentes gerações, estar perto de serviços, saúde, cultura e lazer, viajar com menos preocupações e contar com apoio quando desejar, sem abrir mão da autonomia.

É para esse espaço que surgem novos modelos de moradia para longevidade, como o Living as a Service – Longevity (LaaS Longevity), baseado em seis pilares: convivência intergeracional, serviços sob demanda, tecnologia, hospitalidade, ambientes acessíveis e gestão do bem-estar.

A proposta é que a residência e seu ecossistema acompanhem diferentes momentos da vida, com serviços acionados conforme a necessidade e ambientes preparados desde o projeto.

 Geroarquitetura: projetar hoje pensando também no amanhã

Essa mesma lógica está presente na geroarquitetura, área que aplica conhecimentos sobre gerontologia ao planejamento e ao desenho dos espaços.

Para a geroarquiteta Flavia Ranieri, referência na área no Brasil:

“Uma residência preparada para a longevidade é aquela que funciona tão bem hoje que você nem percebe que ela também foi pensada para o amanhã. Esse é o princípio do longevity first: antecipar no projeto aquilo que permite preservar independência, conforto e liberdade ao longo da vida.”

Na prática, isso significa considerar desde o início questões como circulação, iluminação, ergonomia, segurança, conforto, acessibilidade e flexibilidade de layout.

A lógica do Longevity First é que, quando um ambiente responde às exigências mais complexas da longevidade, ele se torna também mais seguro, confortável, intuitivo e funcional para pessoas de qualquer idade.

Patter contrata Flavia Ranieri para novo projeto em Manaus

É nesse contexto que a Patter contratou Flavia Ranieri para participar do desenvolvimento de um novo empreendimento imobiliário em Manaus.

O projeto considera as transformações demográficas e comportamentais da cidade e incorpora conceitos ligados à longevidade, à geroarquitetura e a novos modelos de morar.

A proposta é criar um empreendimento intergeracional, preparado para acompanhar seus moradores ao longo do tempo.

Para Sérgio Avelino Filho, sócio-diretor da Patter Empreendimentos:

“Existe uma oportunidade de mercado quando a oferta continua repetindo o mesmo produto enquanto o consumidor muda. A longevidade não é uma tendência futura: ela já está alterando o perfil de quem compra, o tamanho das famílias e aquilo que as pessoas esperam da própria moradia.”

O estudo desenvolvido para o projeto identifica em Manaus um contingente crescente de moradores com 50 anos ou mais, incluindo perfis maduros que continuam ativos, independentes e interessados em localização, praticidade, saúde, cultura, convivência e autonomia.

Para investidores, mudança demográfica também significa demanda

Para investidores no mercado imobiliário, a leitura é direta: é preciso investir em demandas que já existem e que tendem a ganhar relevância nos próximos anos.

A mudança demográfica altera o tamanho das famílias, a relação das pessoas com o patrimônio, a quantidade de moradores por residência e aquilo que passa a ser considerado conforto.

Quem já criou os filhos pode não precisar mais de uma casa grande. Quem viaja com frequência pode valorizar mais serviços e segurança do que metragem. Quem continua profissionalmente ativo pode buscar apartamentos menores, bem localizados e com infraestrutura que simplifique o cotidiano.

O desafio do setor, portanto, não é simplesmente construir imóveis “para pessoas maduras”, mas compreender como as prioridades de moradia estão mudando.

É preciso começar a construir para a cidade que seus próprios moradores estão se tornando.

Em uma cidade que cresce e, ao mesmo tempo, muda rapidamente seu perfil etário, antecipar essas transformações pode representar uma vantagem competitiva.

Manaus está mudando. E o mercado imobiliário que entender essa transformação antes dos demais terá a oportunidade de não apenas acompanhar a cidade, mas de participar da definição de uma nova forma de morar nela.

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Redação
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