Projeto ALFA-EJA Brasil fortalece educação de jovens e adultos em Coari com formação de educadores

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Coari recebeu, nos dias 18 e 19 de maio, o 3º Encontro Presencial de Assessoria e Formação do Projeto ALFA-EJA Brasil, reunindo professores, gestores e equipes pedagógicas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de educadores populares e representantes de movimentos sociais, para debater diversidade, equidade, cuidado com a vida e fortalecimento dos territórios educativos.

A programação integrou uma mobilização realizada simultaneamente em 15 municípios das regiões Norte e Nordeste do país, promovida pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

O encontro presencial foi estruturado a partir de metodologias inspiradas na pedagogia freiriana, divididas em quatro Círculos de Cultura que promoveram a construção de práticas pedagógicas voltadas à inclusão e à permanência dos estudantes da EJA.

Com 33 anos de atuação na educação, o professor Ulisses José Praia Cunha destacou a importância da formação para o fortalecimento das práticas em sala de aula.

“A experiência é muito positiva, pois os encontros nos trazem novas visões, ampliam nosso horizonte de conhecimento e, com isso, nós vivemos uma nova expectativa de trabalhar novas didáticas na sala de aula. Trabalhar o aluno dentro da sua própria história. A partir da sua própria história de vida, trabalhar suas experiências e, com isso, a gente leva o aluno a melhorar seu ensino-aprendizagem dentro da EJA”, afirmou.

Diversidade e práticas acolhedoras

O primeiro Círculo de Cultura, “Varal das diversidades e os Inéditos Viáveis”, promoveu reflexões sobre identidade, pertencimento e combate às desigualdades no contexto da EJA. A atividade partiu de dinâmicas coletivas inspiradas na pedagogia freireana para discutir os desafios enfrentados pelos educandos e construir estratégias pedagógicas acolhedoras e antidiscriminatórias. Ao final, os participantes elaboraram agendas de cuidado e acolhimento conectadas às realidades de cada território.

Equidade racial e enfrentamento ao racismo

No segundo momento formativo, o tema “Cor, etnia: equidade racial na nossa história” mobilizou debates sobre racismo estrutural, preconceito racial e práticas antirracistas nas escolas. As atividades incluíram reflexões sobre identidade racial, análise de expressões discriminatórias presentes no cotidiano e construção coletiva de propostas pedagógicas voltadas ao enfrentamento do racismo institucional, recreativo, linguístico e ambiental. O círculo também promoveu discussões sobre as intersecções entre raça, classe e gênero na educação.

Território, meio ambiente e cuidado com a vida

As questões socioambientais ganharam centralidade no terceiro Círculo de Cultura, “O território como espaço de cuidado”. A proposta estimulou os participantes a refletirem sobre as relações entre meio ambiente, saúde, sustentabilidade e bem viver. A partir de memórias do território, exposições fotográficas e rodas de conversa, educadores e gestores debateram práticas de preservação ambiental e construíram propostas de intervenção voltadas à transformação dos espaços comunitários e escolares.

Assessoria pedagógica e fortalecimento das redes de proteção

Encerrando a programação, o quarto Círculo de Cultura reuniu equipes técnicas das secretarias municipais de educação para discutir práticas de assessoria pedagógica e fortalecimento das redes de proteção social. O encontro abordou temas como acolhimento, relações interpessoais, permanência dos estudantes da EJA e articulação com áreas como saúde, assistência social, cultura e transporte.

Com foco na educação popular e no fortalecimento das políticas públicas para jovens, adultos e idosos, o 3º Encontro Presencial de Assessoria e Formação reafirmou o compromisso do ALFA-EJA Brasil com práticas educativas inclusivas, dialógicas e conectadas às realidades dos territórios.

Sobre o Projeto ALFA-EJA Brasil
Realizado pelo Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o ALFA-EJA Brasil tem como missão promover formações, assessoria pedagógica, oficinas, encontros e ações culturais com foco no fortalecimento da EJA como política pública essencial. A iniciativa busca garantir o direito à educação para pessoas jovens, adultas e idosas e contribuir no combate ao analfabetismo no país.

Ao longo dos próximos anos, até final de 2027, o projeto desenvolverá uma série de ações em 15 municípios de forma presencial e a distância, e em 62 municípios de forma online. As principais iniciativas envolvem formações e assessorias pedagógicas para educadores e gestores da EJA, oficinas de leitura e escrita para educandos, o curso online “Como Alfabetizar com Paulo Freire”, a produção e distribuição de materiais pedagógicos (como cadernos, vídeos e podcasts), encontros comunitários, lives formativas e a criação do Centro de Referência da EJA (CREJA), voltado à memória, formação e articulação local.

Leitura do Mundo: uma análise sobre cada território
A primeira fase do projeto, chamada Leitura do Mundo, foi realizada pela equipe pedagógica do Instituto Paulo Freire, ao longo do mês de abril de 2025, nos 15 municípios que são atendidos de forma presencial e a distância. A etapa envolveu visitas, escutas e diálogos com educadores, gestores, movimentos sociais e comunidades locais, com o objetivo de compreender as realidades e desafios de cada território.

Lançamento oficial foi celebrado em quatro lives no Youtube
O projeto foi lançado em agosto de 2025 com transmissões ao vivo pelo canal da iPF.Tv no YouTube (https://www.youtube.com/@ipftvcanal), que reuniram representantes das Secretarias Municipais de Educação, gestores, educadores e comunidades locais. As lives apresentaram os objetivos e metodologias do projeto e reforçaram a valorização da cultura e da identidade regional.

Dois Encontros Presenciais de Assessoria e Formação para as secretarias municipais de educação
Entre 8 e 30 de setembro de 2025, o Projeto ALFA-EJA Brasil realizou as primeiras formações presenciais em 15 municípios do Norte e Nordeste para secretarias, gestores e educadores da Educação de Jovens, Adultos e Idosos. As atividades apresentaram os resultados da primeira etapa da Leitura do Mundo, promoveram debates, reflexões e momentos culturais, fortalecendo vínculos e alinhando os próximos passos do projeto. Já o segundo encontro, realizado entre março e abril deste ano nos mesmos municípios, teve como tema central a “EJA como Direito Humano: práticas contextualizadas, trabalho e articulação territorial”.

Oficinas de Leitura e Escrita com Educandos
Entre 27 de outubro e 14 de novembro de 2025, o Projeto promoveu as oficinas “Minha história dá um livro”, incentivando educandos da EJA a escreverem suas próprias autobiografias. A iniciativa aconteceu nos 15 municípios, reunindo educandos em atividades de leitura, escrita e reflexão sobre histórias de vida. Inspiradas na obra de Carolina Maria de Jesus e na metodologia freiriana, as oficinas valorizaram as experiências pessoais dos participantes, fortaleceram a autoestima e estimularam o protagonismo dos estudantes por meio da construção de narrativas sobre suas trajetórias. Entre abril e maio de 2026, foram realizadas mais quatro oficinas. A primeira valorizou saberes adquiridos fora da escola, inspirada em Paulo Freire, enquanto a segunda aprofundou essas reflexões a partir das memórias e territórios dos educandos, conectando vivências ao aprendizado escolar. Como resultado, os participantes registraram suas histórias e construíram coletivamente um mural representando suas experiências. Já, nas duas últimas, os educandos escreveram cartas para amigos e familiares. Até o final do ano, serão 10 oficinas no total, impactando mais de mil educandos.

Presença marcante na COP 30
A participação do ALFA-EJA Brasil na COP 30, em Belém, reforçou o compromisso do projeto com o debate sobre justiça climática, desigualdades socioambientais e educação popular. Representado pelo Instituto Paulo Freire, o projeto integrou rodas de conversa, palestras e atividades formativas que relacionaram a Educação de Jovens e Adultos (EJA) aos desafios climáticos vividos por populações amazônicas. A agenda incluiu participação em espaços como o Puxirum de Mulheres Defensoras da Amazônia, atividades no estande do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e debates na Cúpula dos Povos, onde foram compartilhadas experiências dos territórios e reflexões sobre a crise climática vivida nas comunidades dos municípios participantes do projeto.

Curso Como Alfabetizar com Paulo Freire
Ainda estão abertas as inscrições gratuitas para o curso online “Como Alfabetizar com Paulo Freire”, que faz parte do Projeto ALFA-EJA Brasil. A formação é destinada a educadores da EJA de 77 municípios das regiões Norte e Nordeste. O Módulo 1 já começou. Inspirado na educação freiriana, o curso propõe não apenas técnicas de alfabetização, mas também uma leitura crítica da realidade e a valorização da EJA como direito fundamental e instrumento de transformação social. Com cerca de 60 horas de duração, organizadas em três módulos com 24 videoaulas, materiais complementares e lives interativas, a formação oferece acompanhamento pedagógico, certificação e a possibilidade de os participantes se tornarem coautores de um e-book ao final do curso.

Sobre o Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire
O Instituto Paulo Freire foi fundado em 1991, com a missão de promover uma educação emancipadora e humanizadora, inspirada nas ideias de Paulo Freire. Reconhecido nacional e internacionalmente, o Instituto trabalha para combater injustiças sociais e educacionais e promover a transformação social, por meio de práticas educativas que busquem a autonomia e a igualdade de direitos. O Instituto é uma rede global com unidades independentes, em mais de 90 países, e continua a inspirar gerações de educadores e educandos.

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Redação
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