Todo mundo já teve pelo menos um chefe que marcou, seja de forma positiva ou negativa. Às vezes a gente não percebe na hora, mas quando olha pra trás, fica claro o quanto o estilo de liderança influencia no ambiente de trabalho e até na nossa vida pessoal. É aquela velha história: um bom gestor faz a gente crescer, aprender e ter vontade de vestir a camisa. Um mau gestor faz a gente querer sair correndo para bem longe, ou pelo menos procurar um lugar melhor.
Pensando nisso, resolvi escrever aqui no blog algumas diferenças bem visíveis entre quem sabe liderar de verdade e quem só ocupa um cargo de chefia. É quase um manual para quem quer refletir sobre seu próprio jeito de conduzir uma equipe ou até para quem quer entender melhor os sinais de alerta na hora de entrar em um novo trabalho.
Pra começo de conversa, a diferença mais gritante está no jeito de agir. O bom gestor lidera pelo exemplo. Ele não espera que ninguém faça algo que ele mesmo não faria. Se precisar ficar até mais tarde para fechar uma entrega importante, ele fica. Se surgir um pepino de última hora, ele se envolve, ajuda a resolver e não joga tudo nas costas da equipe. É o tipo de pessoa que faz a gente ter orgulho de seguir. Já o mau gestor adora sentar na cadeira e mandar. Quer que todo mundo faça, mas se for preciso ajudar, ele inventa desculpas, foge da responsabilidade e depois ainda quer levar o crédito se tudo der certo.
Além disso, o bom gestor é organizado e valoriza o planejamento. Ele deixa claro quem faz o quê, distribui tarefas de forma justa, combina prazos possíveis e não sobrecarrega as mesmas pessoas o tempo todo. E quando surge um problema, ele não fica procurando um culpado imediatamente. Primeiro ele entende o que aconteceu, depois pensa em como corrigir e prevenir. O mau gestor é o oposto. Vive mudando de ideia, marca reunião de última hora, esquece de passar informações importantes e adora dizer que está tudo urgente. E quando algo dá errado, nunca é culpa dele. Sempre sobra pra alguém pagar o pato.
Uma coisa que eu sempre observo é se o gestor sabe ouvir. O bom gestor não acha que sabe tudo sozinho. Ele pergunta, escuta sugestões, dá espaço pra equipe se expressar, valoriza ideias diferentes. Ele entende que boas soluções podem vir de qualquer um, não importa o cargo. Já o mau gestor interrompe os outros no meio da frase, não quer saber de opinião e muitas vezes nem presta atenção. A equipe acaba se calando porque percebe que falar não adianta.
Outro ponto que faz diferença no dia a dia é a forma como o gestor lida com conflitos. Todo ambiente de trabalho tem suas tensões, afinal, são pessoas diferentes convivendo por horas e horas. Mas o bom gestor sabe que o papel dele é mediar, não botar lenha na fogueira. Ele escuta os dois lados, tenta resolver de forma justa, corta fofoca pela raiz. Já o mau gestor muitas vezes alimenta picuinhas, tem seus favoritos, faz comentários atravessados e ainda espalha insegurança. Resultado: o clima vai ficando cada vez mais pesado e todo mundo perde.
E se tem algo que mostra quem realmente é líder é a forma como ele trata o crescimento do time. Um bom gestor quer ver a equipe avançar. Ele incentiva cursos, propõe treinamentos, abre espaço para que cada um possa mostrar seu potencial. Dá oportunidade para que as pessoas assumam responsabilidades novas e aprendam coisas diferentes. Assim, todos ganham: o profissional cresce, o time fica mais forte e a empresa evolui junto. O mau gestor, por outro lado, tem medo de perder espaço. Ele segura informações, dificulta promoções, não ensina nada novo e prefere manter todo mundo na mão dele. É como se a equipe fosse uma ameaça, quando na verdade deveria ser um apoio.
Assumir erros é outro teste de liderança. O bom gestor entende que ninguém é perfeito, muito menos ele. Quando erra, assume, explica o que aconteceu e mostra o que vai fazer pra não repetir. Isso cria confiança e segurança para a equipe também admitir falhas sem medo. Já o mau gestor faz o contrário: aponta dedos, expõe quem errou na frente de todo mundo, não reconhece sua parte no problema e ainda usa o erro pra controlar as pessoas. Aos poucos, a equipe para de tentar inovar porque sabe que qualquer deslize pode virar motivo pra humilhação.
Por fim, a soma de tudo isso aparece no clima de trabalho. O bom gestor faz do ambiente um lugar onde as pessoas têm vontade de estar. Claro que nem todo dia é leve, mas no geral existe respeito, reconhecimento, espaço para aprender, corrigir, melhorar. As pessoas sentem que têm valor e isso reflete em produtividade e resultados. Já o mau gestor torna o local tóxico. O time vive sobre pressão, medo, fofoca. Ninguém tem vontade de ficar muito tempo e, quando surge uma chance, vai embora. E assim ele perde bons profissionais e depois reclama que ninguém quer trabalhar direito.
Eu acredito muito que ninguém nasce sabendo ser um bom gestor. É um aprendizado diário. É preciso ter humildade pra ouvir, paciência pra ensinar, coragem pra enfrentar problemas de frente e maturidade pra reconhecer que liderar é mais sobre pessoas do que sobre tarefas. E, principalmente, é ter claro que um cargo não faz ninguém maior do que ninguém.
Adriano Sobral
Bacharel em Administração e Contabilidade
Pós-Graduado em Gestão Pública